O segundo debate do seminário foi sem dúvida um dos mais importantes do evento. Digo isso devido a ser um assunto mais voltado para área de negócios. Diversas empresas e pessoas têm perseguido uma boa remuneração através de publicidade na web. Para discutir o assunto, estavam lá: Guilherme Ribenboim (Yahoo! Brasil), Osvaldo Barbosa de Oliveira (Microsoft Online Services Group no Brasil) e Roberto Grosman (AdSense do Google para a América Latina). Mediando toda a conversa Maurício Grego, editor-sênior da INFO e guru do INFOLAB.
O que observei é que a conversa foi mais para mostrar um futuro do que retratar o presente. Osvaldo apostou em publicidade de vídeo por IP, baseando-se no princípio que a publicidade que funciona deve ser específica e relevante. O que achei mais interessante na exposição de idéias foi o conceito de Behavior Target ou seja não basta apenas saber características dos usuários de um determinado site como sexo, posição geográfica ou classe social, mas o comportamento dessas pessoas em seu site. A análise de comportamento direciona muito mais do que uma pilha de informação que na maioria das vezes não dizem muita coisa.
Roberto Grosman do Google mostrou um novo modelo de publicidade chamado Client to Call que tem funcionado nos USA e que já começa a ser implementado no Brasil. O modelo atende aquelas pessoas que por algum motivo ainda não possuem um site ou um serviço web de atendimento. Associado ao google maps você consegue localizar algumas empresas em determinadas posições do mapa. Quando o internauta clica sobre a logo da empresa no mapa automaticamente efetua uma ligação via VOIP para a empresa, que atende utilizando o sistema de atendimento tradicional. Grosman mostrou que o grande desafio em uma publicidade efetiva é ser o menos intrusivo possível. Falou isso baseado em tentativas de inserção de propagandas com vídeos curtos ou longos no You Tube, mostraram queda de audiência. Uma das perguntas oriundas da platéia era como aproveitar melhor a publicidade dentro de comunidades de relacionamento como Orkut. Roberto mostrou que o que impede a exploração dentro das comunidades são na verdade dois fatores: a política de privacidade que oferece sigilo aos usuários e a mensuração de audiência dentro das comunidades. Segundo ele, é muito difícil saber quanto tempo alguém realmente utiliza de orkut por dia pois muitas pessoas entram e deixam a página aberta conectada e outras entram várias vezes ao dia porém fica por pouco tempo.
Guilherme Ribenboim enfatizou que nem sempre a métrica mais importante para aferir audiência é o click. Ele acredita que existem outras métricas tão importantes como a de engajamento e exposição da marca (Brand). Mas segundo ele o segredo para um bom resultado em publicade não é só o crossmedia mas uma perfeita combinação de publicidade dentro de uma mesma mídia.
Todos os palestrantes apontaram novos formatos para o presente como publicidade dentro dos feeds RSS, mapas e dispositivos móveis.
Setembro 26th, 2007 at 02:18
rodrigo,
legal esse google-talk-show para dourar a pílula, mas isso não vai resolver coisa alguma…
“client to call”… o cara passeia via google maps e ao clickar na marca do mapa salta-lhe via voip uma voz para o atendimento on line… can I help you sir?
tá, ok, adelante… parece avanço, mas no fundo é a mesma coisa do que já é feito… concordo que é menos inoportuno que a antiga busca ativa executada pelos calls centers (que estão tão desmoralizados que já viraram piada, sem credibilidade para pronto-atender a mínima reclamação… estou enganado ou tem alguém com uma mínima experiência de satisfação com o serviço de qualquer SAC no mundo?)
pergunto aos defensores da novidade, será que o cliente quer ser inportunado ao entrar virtualmente em uma loja? há nesse padrão algum cálculo de carga, de trafego, de fluxo? por exemplo, se mil clientes entrarem nessa loja ao mesmo tempo, ficarão na fila esperando tecle um, tecle dois, tecle mil…
a rigor considero esses padrões quiméricos, pois idealizações fora da realidade. Parecem ser modelares, mas de fato estão aquém do que é mesmo necessário…
agora é importante questionar, é o google o único padrão possível para se ganhar dinheiro na rede?
vamos lá, o google está focado 100% em publicidade, exibindo links que levam aos produtos e serviços, conseguindo movimentar uns 12 bilhões de dólares por ano,
ok, mas é preciso compreender que (apesar das cifras que movimenta) o google é ainda um comportado e conformado exibidor de produtos e serviços,
portanto, ao ser mero exibidor o google é ainda uma mentalidade do padrão broadcasting, um ente ainda da comunicação de massa que tenta sobrevida na era da convergencia de midia e das redes sociais…
ao tentar vender produtos e serviços pela exibição/exposição, o google acaba por ser um péssimo modelo de negócio a seguir, isso porque não abre espaço para que as pessoas criem, demandem, desenhem o que querem, consciente ou inconscientemente,
o que as pessoas realmente precisam? pergunte ao executivos do google, eles não saberão responder… Nesse ítem o google poderia aprender muito observando se observasse o case da zara…
a idéia de vou criar na rede um ponto de encontro onde imagens de ofertas publicitárias possam ser exibidas tem ainda outro problema, a perda de credibilidade das imagens idealizadas, ninguém mais compra publicidade, só otários, desinformados…
a questão agora é como ficará o consumo como sistema econômico numa era que podemos chamar de era das superofertas, onde o consumismo passa a ser conteúdo psicanalítico e filosófico… quiça político com o advento da era dos eco-gadgets…
voce consegue ver o google aqui? claro que não…
os regimes de metas economicas também estão sendo alterados, os produtos estão com o prazo de moda deles muito menor, por isso as ofertas devem atender as manifestações de procura… isso significa uma mudança completa na diretoria das empresas, quando devem sair os economistas, os financistas, para entrar como mentores das linhas de produção, os psicanalistas, os filosofos… NUnca é tarde lembrar que o pré-socrático Tales de Mileto era um cara, além de filosofo genial, seminal, muito competente na organização de atividades economicas…
não sei se estou sendo suficientemente claro, até mesmo porque sistemas economicos é um assunto, apesar de ser algo muito concreto, ainda um tanto abstrato para a maioria, mas adelante…
amigos, creiam, a oferta publicitária está saturada, não atende o usuário que apresenta-se mais e mais insatisfeito diante do que lhe é ofertado… ora, isso é bombagarai, pois esse boom de insatisfação provoca um “choque de desvalorização” em cadeia… por exemplo, quem é o mané que paga caro por uma camisa da DIESEL original quando pode comprar uma cópia por um preço mil vezes menor? quem é mesmo o cara que vai se importar com a marca da roupa que está usando…
aqui estamos nós bem no ponto de mutação, a era da convergencia de midia é também a era das redes sociais, e quando falamos em redes sociais estamos falando mais em Relações Públicas, RP, não em publicidade,
o brasil saltou o capítulo RP quando instalou a era da comunicação de massa. Dai o conflito, empresas sem filosofia, empresariado sem caráter, tudo porque oportunistas apressaram o passo para ganhar mais dinheiro levando empresas para o reino encantado da televisão… Espero que não estejamos falando dos mesmos mandrakes que aparecem vendendo internet como comunicação de massa… De uma forma um tanto cômica se não fosse trágica, diria que só agora a maioria dos publicitários brasileiros estão compreendendo o que é mesmo que significa SEGMENTAÇÃO, conceito dos anos 80 que emergiu com naquela emergencia das tvs por assinatura, que no brasil só chegaram na década de 90…
o X da questão, principalmente no brasil, é que há um bolo publicitário de uns 80 bilhões configurado para ser gasto, e que não há mais onde aplicar tudo isso com a mesma rentabilidade… Vejam o exemplo de SP, o prefeito Kassab praticamente passou o facão na poluição visual provocada por toda essa midia suja, obrigando os anunciantes a descobrir qual será agora a mídia limpa… (midia suja e midia limpa é um conceito que saiu de uma conversa minha com o jurisfilosofo willis santiago guerra filho)
o erro está em só conseguir entender branding como operação de oferta publicitária…
a nossa sorte é que o empresário é sempre muito mais realista do que esses doidos que vestem palavras da moda para impressionar quem busca a assistência de um especialista…
Setembro 26th, 2007 at 11:53
Ôôômi tu escreve demaiiissss
Setembro 26th, 2007 at 11:55
Setembro 26th, 2007 at 18:52
Norton com relação ao client to call acredito que não seja algo intrusivo mas uma serviço que será iniciado pelo usuário que quiser entrar em contato com a empresa. Com relação ao Google concordo com você em alguns pontos… Temos que entender que o Google tem o objetivo principal de centralizar informação porém eles esperam que as empresas parceiras gerem negócios a partir dessa informação. Abraços!
Setembro 26th, 2007 at 22:24
legal rodrigo, mas quem disse que era intrusivo?
é importantíssimo debater o google… até mesmo para desmantelar a sua influência ou, quem sabe, tornar o google algo sincrônico, não anacrônico…
sobre o papel conservador de mentalidades do google acho que isso já é consenso mundial, 10 em 20 arquitetos da informação sabem que o objetivo do google é só um, quer porque quer ser o único exibidor da nova era, por isso pano de fundo é 100% publicidade,
mas observe, e pode me corrigir por favor se estiver errado, mas o google fatura ai uns 12 bilhões de dólares nesse papel de exibidor mundial de ofertas publicitárias baseadas em buscas, agora pasme e veja como o google é uma depressão desse pensamento exibidor de publicidade, só no brasil o bolo publicitário é de 80 bilhões de reais, imagine no mundo… quanto o google já movimenta no país… tenho um amigo que fatura 5 mil dólares/mês movimentando algo em torno de 2 milhões de acessos mês… deu pra entender que o negócio não passa pelo google como o google quer que as mentes ainda na publicidade, que só agora estão entendendo o que foi a segmentação dos anos 80 estão tentando fazer entender?
é comum ver aí muitos googlenautas iludidos, mas te digo o google na sua atual formatação está bem longe do que é a era da convergencia de midia e das redes sociais…
no fundo são os velhos mandrakes fazendo mandrakinhos que nada mais são do que balas sem polvora que tentam sobreviver no contemporâneo apostando no que já é uma mentalidade extemporanea e, porque não dizer, total uma força do atraso…
falamos falando, eis aí um assunto que é preciso haver muito isso mesmo, debate para formar massa crítica…
não vamos nos encabular, tudo é novo e quem dizer que está enxergando tudo o que vem pela frente, eis aí uma cegonha trazendo um caba cego, cegueta e vampeta…

Setembro 27th, 2007 at 20:16
Também achei as soluções fracas… tão longe de me deixar impressionado. Na verdade o Google não tem sido tão criativo com seus modelos de rentabilização quanto com seus produtos. Por enquanto eu sigo feliz com a minha conta do Gmail, os resultados de minhas buscas (isso nem sempre, mas não é o ponto aqui), minhas anotações no Google Notebook, minhas planilhas no Google Documents, meus feeds no Reader… sem pagar nada por isso.
Norton, você falou muita coisa no primeiro comentário. Vamos conversar mais sobre isso?
Por enquanto…
Claro que o sistema de exibição de publicidade não é o único jeito de se ganhar dinheiro na rede, mas acho que o adwords (sistema de exibição de anúncios relacionados ao conteúdo, responsável por 90% do faturamento do Google), ao combinar isso com uma contextualização semântica se tornou muito eficiente. O modelo pode ainda ter entes da comunicação de massa, mas se distancia muito dela ao tratar o usuário como único na medida que leva em consideração o seu interesse na hora de exibir o anúncio. Acho um grande passo.
Me assusta a tal “era das superofertas”, mas já ouvi muito sobre o fracasso dos modelos de rentabilização baseados na cobrança direta ao usuário. Como fazer? Gostaria de conhecer o case da Zara.
Eu costumo dizer que a internet vai matar o capitalismo.
Setembro 29th, 2007 at 01:33
hey saulo,
boas e muito precisas observações,
“a net morte do capitalismo” é uma ótima, inclusive, porque isso já acontece na globalização, não o capitalismo, esse caos indefinível, autoregulável por uma mão invisível mão muito mais doida do que a nossa vã filosofia imagina,
mas desde que a china retomou o parque industrial de hong kong, twain, além do desenvolvimento industrial interno, (a china tá chupando todo o minério de ferro que existe no mundo, e queimando carvão pra caracas… o céu de lá tem uma crosta de fumaça) não há mais como diferenciar a réplica do original, dai não há mais também como imprimir MORAL às marcas…
isso é muito importante, pois levando em consideração as profecias do marx espiritualista, não o materialista, o marx de tudo que é sólido desmancha no ar, estamos nos primeiros movimentos do “choque de desvalorização”… quando nenhuma promessa de moral coletiva será aceita, quando os sistemas deterministas criados por esses patifes todos se espatifarão..como já estão se espatifando…
queiram ou não as pessoas estão mais focadas “no qual é o da existencia” do que antes…
o google, vamos fazer as contas, movimenta ai 12 bi de dólares; só o mercado publicitário do brasil, esse sucatão que vive de televisionar frasinhas com defeito e imagens surradas chupadas ou cheiradas, movimenta 80 bi… quanto é o bolo publicitário do mundo? muito mais do que o google em 9 anos conseguiu atingir, apesar de já estarmos ai com uma quantidade bilionária de internautas…
não sou eu que estou dizendo, mas já faz tempo que a publicidade morreu.
se vc assistir ao filme A ARQUITETURA DA DESTRUIÇÃO documentário sobre o regime nazista, verá porque morreu… morreu porque morreram as imagens idealizadas, o publicitário vai lá e doura a pílula o que é feio fica bonito naquele instante e essa beleza instantanea vira lixo em questão de segundos, então essa imagem idealizada perdeu credibilidade, esse é o ponto, as pessoas cansaram de ver coisas que não são e não existem, é apenas miragem, alucinação, tá todo mundo mais esperto, tá ligado?
a web 1.0, a web gráfica, foi algo muito tímido, as pessoas tinham até vergonha de dizer que trabalhavam nisso, com isso, ou coisa que o valha, pois era uma profissão quase invisível… agora, fez um movimento importante, um giro de linguagem de 180 graus, onde muitos ficaram imaginando como seria a coisa no futuro, alguns apressados acharam que tinham encontrado a pólvora e partiram para replicar na web 1.0 os padrões da comunicação de massa,
quer um exemplo dessa deprimente tentativa de dar sobrevida a um dragão? basta ler um jornal de ontem na internet de hoje, e o nosso amigo leonardo fontes, o rafael dourado, o gilbertão knutzz, o adriano macedo (que conversava sobre web com ele quando estava em tucson, az) me corrijam, mas esse é o conteúdo JORNAL DE ONTEM é ainda o mais acessado hoje pelos internautas…
isso acontece por prisão de mentalidade, de certa forma estamos todos presos na era da comunicação de massa como burros atrás da burrice,
estava conversando com o rafael no msn, comentando com ele como fica o adwords? agora com a web 2.0? que significa em fundamento a era audiovideográfica, com a independência da linguagem audivisual da prisão desta marmota nazista que é a tv?
o branding terá que fazer um brusco e rápido movimento de saída do beco sem saída da publicidade, rasgando a tolice de apostar nas imagens idealizadas, então buscando pontuar nos graus de satisfação para construir as redes sociais buscando conquistar stakeholders, então, o empresário vai ter que mergulhar no conteúdo do seu negócio, pois quem não tiver conteúdo, bau-bau-,
teremos ai então vários desdobramentos bem lógicos e bastante obvios, principalmente no item das cartas sociais das empresas, onde os papéis terão que constituir grandes prestadoras de serviço público não governamental… é bem legal o que vem por ai saulo, tempo para gente dizer, putz que bom isso, que legal aquilo, massa, valeu, agora será o fim dos valérios, dessas empresas tipo verme venenosos picaretas enganadores que conquistam contas por intermédio da bajulação do empresário…
tu acha que o empresário vai sustentar um mané que só sabe bajular e que não dá resultado, ai entra a tal da mão invisível, que agora será um pé invisível mirando no meio da bunda desses ordina´rios que estão em marcha para o abismo de onde n~unca deveriam twer saído…
vamos falando, marca ai um jam session com o leonardo fontes (que tem idéia bem interessantes e uma visão realista do mercado), com o rafael, o gilbertão, com os ainda googlenautas antenados e vamos falando pois, como já disse, pois eis ai um assunto que precisa formar muita massa crítica…
Setembro 29th, 2007 at 01:35
rapaz,
e como vc é saulo, não poderia deixar de imprimir aqui o que disse um ex-saulo depois que virou Paulo em Hebreus 11
13 Todos estes morreram na fé, sem terem recebido as promessas; mas vendo-as de longe, e crendo-as e abraçando-as, confessaram que eram estrangeiros e peregrinos na terra.
14 Porque, os que isto dizem, claramente mostram que buscam uma pátria.
Setembro 30th, 2007 at 18:25
Só para registrar, em mil-novecentos-e-lá-vai-pedrada, só existiam dois Nortons: O Norton Lima Jr e o Norton Disk Doctor. O primeiro eu leio até hoje o segundo eu não uso mais. E sim: o contéudo “jornal de ontem” ainda é o mais acessado hoje. Concordo.